Chacina - 26/06/2018, 13:37

“Vidas foram tiradas pelas minhas mãos, eram pessoas trabalhadoras e amigas” diz acusado de Chacina

Clewilson Vieira Matias, conhecido como Chiê, ao ser interrogado afirmou que o crime foi motivado por perseguição e traição. Chiê chegou a dizer que estava arrependido pelos crimes que cometeu “se eu disser que não estou arrependido, eu estou mentindo” disse.


Filipe Germano Midi images Acusado

O acusado de cometer uma chacina em 30 de outubro de 2014, na cidade de São Miguel do Tapuio, no Piauí, foi interrogado na manhã de hoje, 26 de junho, durante julgamento que acontece no Fórum Milton Evaristo de Paiva.

Clewilson Vieira Matias, conhecido como Chiê, ao ser interrogado afirmou que o crime foi motivado por perseguição e traição. Chiê chegou a dizer que estava arrependido pelos crimes que cometeu “se eu disser que não estou arrependido, eu estou mentindo” disse.

As vítimas foram Juvêncio dos Reis da Silva (líder comunitário), Sidney Tavares Silva (estudante/neto de Juvêncio), Maria Moreira do Nascimento (esposa do acusado), Roberto Brito Bastos Crisóstomo (professor de informática da rede municipal) e Cláudio Barros de Oliveira (comerciante / compadre do acusado).

Uma das testemunhas de acusação descreveu com detalhes o momento em que Chiê se encontrou com umas das vitimas “Ele pegou o Sidney pela camisa disse que tinha chegado a hora dele e disparou. Sidney ainda tentou evitar, mas recebeu outro tiro e morreu, eu ainda tentei reanimar, mas já era tarde. Depois de disparar e matar Sidney ele ficou ao lado do corpo rindo” disse a testemunha.

Outra testemunha, companheira de Juvêncio, descreve durante o seu depoimento o momento em que ouviram um barulho estranho na porta e sem seguida o acusado entrando na cozinha onde o casal almoçava. “Vimos um barulho estranho na porta, mas não fomos verificar e de repente ele chegou e cometeu o crime” disse.

O interrogatório do acusado deu inicio por volta das 12h20min. Confira abaixo trechos citados por ele:

“Eu amava viver no meio daquele povo, até o último dia da minha vida eu queria viver naquele lugar, mas chegou um tempo que minha casa foi invadida pela policia e eu vi meu filho sendo humilhado”

“Me falaram que eu tinha muitos inimigos, eu não sei o que aconteceu que a minoria queria me ver preso. Outra pessoa me disse pra eu tomar cuidado porque queriam me ver morto, enchi a casa de cachorros, coloquei vidros no muro, o medo me cercou”.

“Vidas foram tiradas pelas minhas mãos eram pessoas trabalhadoras e amigas”.

Ao ser questionado sobre as armas Chiê disse “Comprei as armas no Ceará, comprei para me defender”.

Chiê ainda relatou que antes de cometer os crimes passou três dias bebendo e confirmou que foi atendido pelo CAPS (Centro de Apoio Psicossocial) e que usava medicação controlada.

Durante o interrogatório o acusado chegou a fazer várias citações bíblicas e pediu desculpas aos familiares das vitimas. “Sinto muito pelas famílias das vitimas, peço desculpas, peço perdão, eu sei que é difícil eles me perdoar, sei que é difícil pra eles suportar, eu também fui vitima, eu perdi minha esposa, meus filhos, minha casa minha liberdade” disse as ultimas palavras do interrogatório.

Após ser ouvido, por cerca de 40 minutos, a sessão de julgamento foi interrompida e deverá ser retomada em uma hora.

O Tribunal Popular do Júri é presidido pelo Juiz de Direito da Comarca de Castelo do Piauí, Dr. Leonardo Brasileiro que em carácter excepcional assume pela Vara Única da Comarca de São Miguel do Tapuio.


Fonte: Redação
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