Filipe Germano - 03/11/2018, 10:15

João João (Ruan)

Só nos resta, em meio às lagrima, juntar nossas mãos e recitar: Pai Santo, Deus Eterno e Todo-Poderoso, nós vos pedimos por aqueles a quem chamastes deste mundo. Dai-lhes a felicidade, a luz e a paz...


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São exatamente 9h e pouco mais que dez minutos de um dia que amanheceu sem cor, sem tom, sem riso, e ainda não é domingo, que dia triste amigos. Por enquanto nada de sol radiante, nada de felicidade no rosto. Passei a noite em claro buscando palavras, queria as mais bonitas para escrever, mas na seleção delas nenhuma é tão presente nesse momento como a “simplicidade”, essa é a palavra que defino o jovem João João (Ruan).

Defini o título João João (Ruan), pois Ruan é palavra variante de João, esse era o nome atribuído a um jovem “simples”, carismático, alegre, daqueles que ria com tudo e com todos, e não é preciso os mais bonitos textos para descreve-lo, a sua essência de ser simples já faz isso por si só.

Podemos dizer que é penoso, mas as palavras nem dão conta de tanta dor. A fragilidade do ser humano nem sequer estabelece distinção entre velhos e jovens. A morte por si só afeta a todos nós. A dor dessa perda nos afeta muito mais intensamente quando a morte nos leva embora de forma sorrateira, imprevisível e tão definitivamente uma pessoa jovem.

Ontem, vítima de um acidente, João Ruan se calou diante de nós, o seu jeito simples de ser, de viver, de compartilhar os seus momentos, ficará na memória, de sua mãe, pai, avos, tios(as), primos(as), familiares e amigos, muitos amigos.

Nesses momentos resta uma sensação de termos sido enganados, como se nestes casos, a vida fosse um estelionato. Vêm nos à mente frases prontas como: os pais não deveriam enterrar os filhos... É porque entendemos que o natural é jovens enterrando seus velhos. Isso tudo me faz lembrar de uma fala em um ‘filmeco’ em que apenas uma frase valeu mais do que o contexto total do filme: “nada é como deveria ser”. A frase resume a impermanência da vida, o nosso apego e o consequente sofrimento.

Resta aquela lembrança do filho que saia e dizia “mãe vou ali” e esse ali era qualquer lugar, um jogo no campo ou na quadra, uma partida de vídeo game na casa de um amigo, uma simples volta pela cidade, um encontro casual com a turma da escola... sem esquecer daquele abraço apertado na mãe antes dormir, o beijo na testa da vó e a benção de todos os dias, o tio que era chamado de pai, o pai que era muito querido... tantos momentos, hoje se resumem a sofrimento.

Só nos resta, em meio às lagrima, juntar nossas mãos e recitar: Pai Santo, Deus Eterno e Todo-Poderoso, nós vos pedimos por aqueles a quem chamastes deste mundo. Dai-lhes a felicidade, a luz e a paz. Que eles, tendo passado pela morte, participem do convívio de vossos santos na luz eterna, como prometestes a Abraão e à sua descendência. Que a sua alma nada sofra, e vos digneis ressuscitá-los com os vossos santos no dia da ressurreição e da recompensa. Perdoai-lhes os pecados, para que alcancem junto a Vós a vida imortal no Reino eterno.

Por Filipe Germano (historiador) – editor chefe do Portal São Miguel Agora.


Fonte: Redação: Filipe Germano
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